O Linguado.
Famosos em todo o mundo, pela excelência de sua carne, os linguados são os únicos integrantes da ordem HETEROSOMATA, distribuídos em quatro principais famílias: Bothidae, Archiuridae, Pleurenectidaee Soleidae.
Quem vê um linguado pela primeira vez tem a impressão de que foi cortado em duas bandas, pois um dos lados é de coloração marrom e o outro completamente branco, leitoso, no lado marrom (cujas nuances vão desde os tons claros até os castanhos escuros, a depender da espécie), situam-se os dois olhos, que tanto podem estar à direita como à esquerda, a depender da variedade. Eventualmente exemplares da mesma variedade têm os olhos locasos indiferentemente à esquerda ou à direita. Ao nascer em estado larvar, o linguado, no particular dos olhos, é um peixe normal, mas na fase jovem começa a sofrer profundas mutações, como a migração dos olhos para o mesmo lado do corpo. Tal fenômeno, segundo os ictiólogos, decorre do desenvolvimento da tiróide.
Normalmente enterra-se na areia ou nos fundos de lama ficnado apenas com os olhos e pequena parte do corpo a descoberto, camuflado-se com facilidade, graças a sua capacidade de mimetizar-se assumindo as cores predominantes do ambiente.Desde modo escapam dos seus predadores e caçam de tocaias suas presas.São grandes carnívoras e alimentam-se de gusanos,pequenos crustáceos e pequeno peixes,especialmente sardinhas e manjubas.
As variedades distribuídas pelos mares do mundo são muitas desde os minúsculos “língua de mulata “e o “linguadinho” (Symphorus plangusia “e Etropus crossotus”) respectivamente, que não ultrapassa os 15 cm. Até os enormes Halibuts, que excedem os 200 kg.
Conhecido pelos americanos como “flowder” e pelos franceses como “sole”,são chamados aqui no Brasil de solha,tapa,aramaçá,língua de mulata,rodovalho e catraio.a variedade aramaçá é perfeitamente adaptável à vida fluvial e é encontrado em boa parte dos rios amazônicos.
Vivem em fundos de areia, cascalho e lama preferindo as águas calmas e quentes.
Pesca do Linguado
A pesca do linguado é altamente especializada. Entre os pescadores patrícios são raros os especialistas, o que não ocorre nos Estados Unidos, onde grande número de pescadores se dedica a essa pesca específica, tanto em beira de praia como embarcada, com iscas naturais e artificiais.
Entre nós pescamos apenas em beira de praia, tato de arremesso como de “spinning”e “bait-casting”.
Afora os casos fortuitos pescar linguados requer muita prática e técnica especial. Um dos grandes macetes é a localização de pesqueiro. Em beira de praia devemos procurá-los nas proximidades das desembocaduras dos rios, onde haja pouca arrebentação, nas enseadas, nos costões protegidos, ou mesmo nas praias de tombo. Nas praias de tombo, ou mesmo nas espraiadas, é fundamental localizar os bancos de areia a as canaletas. É que o linguado gosta de ficar nas canaletas (valos, peráus ou pecéns) normalmente situadas entre os bancos de areia. Para localizar a canaleta o pescador deve observar a arrebatação e situar o local onde a onda após arrebentar logo se recompõe para formar-se adiante e rebentar outra vez. Neste local situa-se a canaleta onde o linguado fica. A área a ser localizada pelo pescador é exatamente esta, que fica entre dois bancos, sem arrebentação-“mar liso”.
Para pesca de “spinning” deve-se usar o seguinte material:
a)vara leve, de preferência de fibra de carbono,grafite ou boron,cujo tamanho não exedas os 2,40ms.e não seja menor de 1,80, de cabo de cortiça;
b)molinete de ação leve ou médio.Se for leve deve ser ótimo desmultiplicação dotado preferencialmente de três conjuntos de esferas blindadas de qualidade aeronáutica (“Bell Berings”)e provido de alça catadora;
c)linha de boa qualidade,colocada no molinete sem torcimento, de calibre 0,30,no máximo;
d)as iscas artificiais de melhor desempenho são os “jig’s”e os “plug’s”de profundidade.Os Jig’s devem ser de penas de papo de galo, nas cores branca e vermelha ou preta, ou seja finos de naylon das mesmas cores.Sendo da cor branca as cabeças edevem ser pretas ou vermelhas e no caso das outras cores a cabeça deve ser branca.
De “bait-casting” devemos usar as mesmas iscas artificiais, porem um pouco mais pesadas já que tal modalidade é praticada com carretilha especial provida de “level Wind”(distribuidor de linha)e vara de cabo bem curto.O arremesso é feito com uma só mão, sendo consequentemente mais difícil.
Em ambas as modalidades após o arremesso o pescador deve deixar a isca ir ao fundo e proceder ao recolhimento bem devagar paradinhas e pequenos esticões com a ponta da vara (movimento de corrico de fundo).
Os movimentos devem ser algo irregular produzindo o efeito de um pequeno peixe, inseto etc..., ferido ou fugindo do ambiente. Imediatamente o linguado ataca (caso esteja no local e veja a isca).
De arremesso devemos usar o seguinte material:
a)vara leve,de 2,80 a 3,00ms.de comprimento;
b)molinete ou carretilha médios;
c)linha fina 0,20 com arranque 0,35, ou 0,30 sem arranque;
d)anzóis médios e afiados dos tipos “Mustad”(farpeados)nº6,Gamakatsu ou “Akita Kitsune”nº14 ou Lion Door e W.M.C. nº5, oou semelhantes;
e)as chumbadas são do tipo oliva de 0,80gs (em caso de mar calmo)ou pirâmide de 100grs;
f)as melhores iscas são os peixinhos como as sardinhas,manjubas,carapicus,alevinos e trainha ou cabeçudinhos (de preferência vivos).
A parada (chicote)ideal tem a seguinte montagem:
Pegue um pedaço de naylon 0,50 do comprimento de 1,50ms. e encastoe um anzol, os recomendados,numa das extremidades.Aseguir dê um nó de correr à altura dos 40 cms.após o anzol encastoado, ou faça um só em “8”.Introduza uma miçanga e a seguir a chumbada oliva e outra miçanga.Separadamente encastoe o anzol igual em 70 cms.de naylon 0,40 e amare na parada a 50 cms.acima do nó de correr, com o mesmo processo do referido nó.
A pernada do segundo anzol deve ficar com 50 cms.5 cms.acima amarre um destorcedor médio.
Funcionamento da parada: Depois do arremesso a chumbada se acomoda no fundo, repousando na areia e as iscas (preferencialmente vivas) gozam de relativa liberdade de movimento, eis que linha core solta pelo orifício da chumbada, contida apenas pelas miçangas, obstaculadas pelos batentes do nó de correr e da pernada de cima. Caso o mar esteja correndo deve-se usar uma parada semelhante, porém com uma chumbada tipo pirâmide (furada e grampo) o destorcedor enfiado por uma das algas na guiada central da parada.
O recorde mundial da variedade “Paralichtys dentatus”é o pescador Charles Nappi, que pescou em 15.09.75, em Montak, New York, um exemplar de 10,17 kg.
Do halibut do Atlântico-“Hippoglossus hippoglossus”- é do pescador Louis P. Sirard, com um exemplar de 113,40 kg.,pescado em 3.7.81, em Gloucester,Massachudetts- U.S.A. Já no halibut do pacífico é do pescador VernS.Toster, com uma peça de 158,75 kg., pesada em Homer, Alaska- U.S.A., em 30.6.82- “Hippoglossus Stenolepes”.
Mais Colunas deste Colunista:
04/12/2008 - Nomes de peixes em regiões do Brasil. 25/11/2008 - Os Tubarões ou Cações. 16/10/2008 - Os Cangulos. 19/09/2008 - Pesca Esportiva Chicote de Competição. 04/07/2008 - Camurupim. 19/05/2008 - Tubarão Martelo. 05/05/2008 - A pesca do bagre. 03/04/2008 - Os Badejos 05/03/2008 - Pesca em Foco. 19/02/2008 - Robalo.
- Veja as demais notícias anteriores...






