19/02/2008
Acostume-Se De Uma Vez A Dizer Não Ao "Milagre" Do Emagrecimento.

Está difícil resistir! Todos os dias livros, produtos farmacêuticos, modelos de ginásticas, técnicas estéticas e outras fórmulas são apresentados como soluções para o emagrecimento rápido. Algumas clínicas e fabricantes de produtos chegam a prever o tempo necessário à perda de peso! Algo como estabelecer que você efetivamente mudará todos os hábitos necessários para desequilibrar a relação entre ingestão e queima calórica a favor da segunda opção. Acho incrível que, antes de qualquer avaliação, alguém possa afirmar como e quando você vai chegar a este ou aquele objetivo. É desconsiderar que os indivíduos respondem de forma diferente a um mesmo estímulo, e pior, ignorar que estes têm diferentes histórias de vida.

Já manifestei aqui nesta coluna opinião sobre o assunto. Para início de conversa, saiba que nenhum regime ou produto permite que você emagreça e se mantenha magro sem mudanças em outros hábitos. Emagrecer rápido é muito fácil! É só passar fome, deixar de se alimentar, substituir refeições inteiras por misturas menos calóricas. Acontece, que nenhuma das práticas citadas é saudável. Não é recomendável retirar, de forma brusca, nutrientes essenciais ao organismo. Além disso, quando emagrecemos de forma abrupta, não é só gordura que o corpo perde. Quem diminui o peso exclusivamente por redução da ingestão calórica joga fora, além da gordura, uma porcentagem de massa magra, formada principalmente por músculos e ossos. Antes de você pode perguntar "qual é o problema de perder músculos se eu quero emagrecer?", precisamos apresentar o conceito de taxa metabólica basal (TMB). Esta representa a energia consumida pelo organismo para manter suas funções vitais em repouso. É a energia que consumimos quando estamos inativos, para manter a nossa vida. A TMB representa de 60 a 75% do total da energia que gastamos durante o dia, sendo algo em torno de 10% proveniente do efeito térmico da respiração e outros 15 a 30% da queima calórica da atividade física.  A Taxa Metabólica Basal, obtida através de equação que leva em conta a idade, peso e altura do indivíduo, é diretamente dependente da massa magra. O emagrecimento rápido e a perda da massa magra também provocam uma diminuição dessa taxa. Significa dizer que, em repouso, nosso organismo passa a consumir menos energia. Nosso cérebro avalia essa perda rápida e exagerada de peso como decorrente de uma privação de alimentos que pode nos levar à morte, e orienta nosso organismo para desacelerar e gastar o menos possível. Funcionaria da mesma forma se estivéssemos no deserto, com pouco ou nenhum alimento, e o corpo trabalhasse para gastar pouco. Ora, se passamos a gastar menos o que acontecerá com a quantidade de alimentos que precisamos ingerir para ganhar peso? Esta será muito menor! Por isso quem perde peso rápido, ou exclusivamente através da retirada de calorias da alimentação, não consegue se manter magro, enfrentando idas e vindas, o famoso "efeito sanfona".

Não existe mágica para perder peso. Você precisa apenas gastar mais calorias do que consome, e a atividade física deve ter um papel importante no processo. Atividades aeróbias como corrida, ciclismo e natação aumentam o consumo calórico e atuam positivamente sobre a massa muscular e óssea, minimizando as perdas. Atividades de força, como a musculação, geram manutenção e incremento de massa magra, o que pode influir positivamente sobre a taxa metabólica basal, segundo alguns estudos. Essas atividades, além de auxiliar na perda de peso, aumentando o gasto calórico, atuam na manutenção e aumento da massa magra, importante para a Taxa Metabólica Basal.

Vale ressaltar também que perdas de peso superiores a 900 gramas por semana não são recomendáveis, segundo diretrizes da Organização Mundial de Saúde. A exceção acontece quando existe acompanhamento médico, como em casos extremos, a exemplo da obesidade mórbida.

Quanto aos nutrientes essenciais, aqueles que não são sintetizados pelo nosso organismo e que precisamos ingerir do meio externo, não podem ser simplesmente retirados da alimentação porque alguém bolou uma mistura que atua de forma "excepcional" em todos os indivíduos, deixando-os magros. Sem ingerir esses nutrientes enfrentaremos um quadro de deficiência nutricional que pode gerar problemas sérios! Para uma nutrição equilibrada precisamos ingerir diversos tipos de alimentos, todos com funções importantes para manutenção da vida (alimentos energéticos, reguladores e construtores).

Por outro lado existem pessoas que, por questões metabólicas e genéticas (ação aumentada ou diminuída de enzimas e proteínas, por exemplo), engordam mesmo comendo pouco, devendo ser tratadas de forma diversa em qualquer programa de emagrecimento. Desconsiderar todas as variáveis e apostar em um só método é pura fantasia.

Desconfie, portanto, dessa excessiva promoção que cerca os programas de emagrecimento. As famosas fotos de "antes e depois", quando reais, não mostram a que preço, principalmente para a saúde!

Quer emagrecer? Procure especialistas da área de saúde e atividade física (médicos, nutricionistas, endocrinologistas e professores de educação física). Solicite que estes façam avaliações e descubra, inicialmente, se realmente está acima do peso, e depois, qual o programa de emagrecimento adequado ao seu caso.



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