19/02/2008
Robalo.

1. Descrição

É um peixe verdadeiramente especial pela esportividade e nobreza da sua carne. Aparece, praticamente, nas águas tropicais dos mares do mundo, vivendo próximo das praias, nas águas rasas, baías, enseadas, águas estuarinas, manguezais, lagoas salobras e nos rios que se comunicam com o mar. É do mesmo modo pescado e caçado. Embora relativamente abundante, corre o risco de extinção.

Nos EUA, a legislação especial o protege, estabelecendo o limite de quatro exemplares por dia, por pescador, e sua captura só pode ser efetuada, esportivamente, de anzol, sendo proibido qualquer outro processo. Lá, especialmente na Flórida, onde é mais abundante e em quase toda a América Central existem, devidamente qualificados mais de dez variedades de robalos, enquanto, entre nós, contamos com apenas seis. Pertencem a família 'Centropomidae', e suas características principais são comuns. Todos os robalos são muito parecidos, diferindo apenas pelo tamanho, número de raios da nadadeira anal e número de escamas na linha lateral.

A coloração é cinza chumbo no dorso com os flancos e barriga brancos. A linha lateral é negra e bem acentuada. O corpo é robusto e longo, com a cabeça baixa, focinho pontudo e mente projetados para a frente. As nadadeiras são amareladas, sendo a dorsal dupla, a anal provida de forte esporão e a caudal furcada. É um peixe predatório e velos, cuja alimentação principal constitui-se de camarões, carnguejos, siris e pequenos peixes. As principais variedades brasileiras são:

* Centropomus Ensiferus, também conhecido por goléa ou robalete. É o menor dos nossos robalos, não ultrapassando os 40 cm.

* Centropomus Pictinatus, espécie comum no Nordesje, com tamanho oscilando entre 30 cm e 120cm.

* Centropomus Afins, encontrado normalmente no sul do país. Tamanho entre 30 cm e 100cm.

* Centropomus Pedimaculatus, encontrado no Nordeste, chegando a alcançar os 120 cm, sendo que é comum exemplares de 30cm e 50cm.

* Centropomus Undecimalis, também conhecido por robalão, flexão, robalo bicudo, bicudão, camorim, focinhudo, pebão, camorim-açu e cambriaçu. Este último apelativo é restrito a uma pequena área da região cacaueira da Bahia, não se encontrando qualquer referência ao termo nos dicionários ou livros especializados. Cambriaçu é uma corruptela de camorim-açu (nome indígena).

2. Pesca

Pesca-se de todas as modalidades esportivas conhecidas. Desde o arremesso de beira de praia com iscas mortas até de "fly fishing", com 'moscas'.

De arremesso, devemos usar o seguinte material. Varas leves ou médias de 2,40m a 2m de comprimento - molinetes ou carretilhas médios e de boa qualidade - linha 0,30 com arranque 0,40 a 0,50 - anzóis de tamanho médio para relativamente grandes (a depender do tamanho dos robalos que queiramos pescar), pois o robalo tem a boca grande - chicote de dois anzóis com pernadas extra longos, uma bem alta e outra próxima da chumbada, montadas em rotores de boa qualidade - chumbadas arredondadas (para rolar), pesando de 50 g a 100 g - iscas variadas como camarões mortos, sardinhas, pequenos peixes, lulas, siri mole. As melhores, entretanto, são o camarão vivo (especialmente o calambau e o tamaru), a moréia branca de mangue, o baricum, o lambari, a sapetinga (caranguejo mole) e o siri mole.

De 'spinning', devemos usar varas extra-leves, com molinetes leves mas de excelente qualidade, e iscas artificiais variadas, como 'plugs' (de superfície, meia água e de profundidade), jig's (de penas brancas ou fios de nylon finos da mesma cor), 'spinner's, colheres de aço ondulante e até iscas improvisadas com anzóis cobertos com tubos finos de borracha cirúrgica.

De 'bait-casting', as varas são especiais, de cabo curto, carretilhas com 'lewel wind' e iscas artificiais variada, um pouco mais pesadas que as usadas em spinning. De fly fishing, usamos varas, carretos e linhas próprias para a modalidade e anzóis enfeitados com fios de nylon, pêlos e cerdas de animais, plumas finas, etc, tudo imitando flyeies, insetos que vivem no ambiente, como efêmeras, libélulas, ninfas, etc.

Embarcado - Nessa modalidade, podemos fazer corrico ('trolling', com velocidade reduzida) e iscas artificiais, com material leve; 'spinning' e 'baitcasting', poitado com iscas vivas de rodada. Nesta última modadelidade, devemos colocar o barco descendo ao sabor da corrente, no meio do canal, com as iscas lançadas para os lados e para o fundo do barco. }Quem pilota o barco, deve dar-lhe direção com o remo para evitar que rode. Os melhores pesqueiros de robalos são as embocaduras dos rios, as águas interiores, perto de pedras afloradas ou submersas, galhadas, pontes de madeira e de cimento, nos portos, enfim qualquer local onde existirem tranqueiras, sempre perto das barras dos rios, córregos e japaras.

Enquanto os autores e articulistas do sul do país dizem que o robalo aparece mais nas praias, entre os meses de outubro a março, na Bahia, ele freqüenta mais as nossas iscas entre junho e setembro. O melhor mês é agosto, quando as águas estão um pouco mais frias e há mais presença de água doce. Aliás, em qualquer época do ano, em que os rios enchem e toldam a água do mar, logo que começa a limpar, os robalos aparecem em grandes cardumes.

Uma das coisas que mais tem contribuído para dizimar robalos ou afugentá-los é a prática abusiva de alguns profissionais que infestam as barras dos rios e o interior das águas estuarinhas com redes de espera, tipo caceio e tresmalho.

Todos os anos, faço excelentes pescarias de robalo na Barra de Itaípe e na Lagoa Encantada em Ilhéus, Barra do Una-Mirim e do Comandatuba, em Uma, rio dos Frades, em Porto Seguro, no Jequitinhonha, em Belmonte, no salsa, em Canavieiras, e nos Baixos do Palame, bem ao norte da Bahia. O maior exemplar que já peguei foi um Cambriaçu de 17,50m, pescado na Barra do Uma-Mirim. Há cerca de dez anos, presenciei um profissional, com linha de mão (100 mm) pescar um robalo de 25 kg na barra do rio Cururupe, em Ilhéus. O caçador submarino Demostinho Berbert de Castro é um especialista em robalos, já tendo capturado vários acima de 20 kg. O recorde mundial pertence a Gilbert Ponzi, com um exemplar de 24,32 kg, pescado no rahcho Parismina, na Costa Rica, em 18 de Outubro de 1978.



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