05/03/2008
Da inatividade ao excesso

 Veja trouxe informações acerca dos excessos praticados pelos chamados "malhadores compulsivos", pessoas que praticam exercícios em freqüência, volume e intensidade que ultrapassam, muitas vezes, os limites do corpo. Esse é um tema que precisa ser amplamente discutido, principalmente em uma sociedade consumista, capitalista, na qual existem "modelos" de corpo sendo propagados e cultuados. Para atender aos modelos citados, muitas pessoas ignoram barreiras genéticas e fisiológicas, colocando em risco a própria saúde, ao tempo em que se tornam dependentes de altas doses de exercício, física e mentalmente.

Já discutimos nesta coluna a necessidade de praticar exercícios com acompanhamento de profissionais da área. Existem doses ideais de exercícios para cada caso, assim como acontece com os remédios. As sessões de exercícios devem ser prescritas de forma personalizada para diferentes indivíduos, pois estes reagem de forma diversa a estímulos semelhantes. Para ilustrar, vamos hipotetizar o seguinte quadro. Escolhemos 100 jovens do mesmo sexo, altura, peso, idade, e os submetemos a 30 minutos de corrida na esteira e outros 15 minutos de musculação, diariamente, no mesmo momento do dia, durante um mês. Pode parecer loucura, mas as respostas serão completamente diferentes, devido a fatores que não podemos controlar, como aqueles inerentes à herança genética ou experiência de vida de cada um.  

Apesar disso, algumas pessoas insistem em adotar modelos ou fórmulas que atenderam às expectativas de outras pessoas como ideais para sua própria vida. Quando o fazem, ignoram a herança genética, histórico de vida, e até o contexto social e econômico em que vivem.

Como exemplo, podemos citar a massificação da imagem das modelos de passarela de modas, meninas muitas vezes anoréxicas ou bulímicas, que colocaram a perda de peso acima da própria sanidade física e mental. As coxas, abdome e peitoral apresentados por alguns "ícones" da televisão, trabalhados à custa de musculação e "suplementos" (nem sempre legais), também povoam a imaginação de jovens que freqüentam as academias.

É importante, entretanto, saber que não existe mágica, e que a resposta favorável nem sempre vem com aumentos de carga e intensidade. Sem dúvida que incremento de intensidade, freqüência e duração das sessões de exercício tem relação direta com os principais parâmetros de saúde. Mas, a capacidade de se exercitar de cada indivíduo tem limites, a partir do qual o exercício cessa de produzir benefícios, gerando quadros muito próximos da doença.

O gráfico abaixo mostra que o incremento de saúde pela prática de exercícios tem uma curva em forma de sino, ou seja, esta tem um ponto ótimo, a partir de onde o aumento dos níveis de exercício não gera incremento dos níveis de saúde, mas apenas degradação dos sistemas (Sobretreinamento).

Mas, como saber se você está passando dos limites? Quando alguém fala que você está treinando demais, que só quer saber de exercícios, avalie cuidadosamente. Existem aqueles que são preguiçosos e se incomodam de vê-lo treinar porque não têm força de vontade. Para estes você sempre estará exagerando. Mas o exagero tem que ser encarado como uma possibilidade. Extrapolar na dose é tão prejudicial quanto ser inativo!

Não espere ninguém te avisar. Quem avisa é o seu corpo, pois o desequilíbrio gerado pelo excesso traz graves conseqüências.

Quais os sinais do excesso?  Veja alguns deles: Lesões constantes; Aumentos de freqüência cardíaca durante o exercício e em repouso (esta também custa a voltar ao normal); Aumento da pressão arterial; Irritabilidade e variações de humor; Dificuldade de concentração; Perda do apetite; Dores musculares constantes; Dôres de cabeça sem causa anterior; Temperatura corporal levemente aumentada; Tremores; depressão; Suor noturno.
Se você é malhador regular e apresenta alguns dos sintomas acima deve procurar orientação e investigar as possíveis causas.



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