03/04/2008
Esse eu ouvir...

Uma família com cinco belas jovens viçosas, de pais rigorosos e padrão de vida elevado no interior do Paraná, apesar de estudarem na cidade com a melhor educação, não perdiam nunca a oportunidade de passar as férias com a família na fazenda, fazenda essa que se inicia a nossa história.


Entre as cinco jovens, uma delas, a mais velha, Júlia, tinha um namorado secreto, Pedro, filho do fazendeiro vizinho. O romance era mantido através de mensagens que eram levadas e trazidas por sua irmã Ana Rosa. E foi nessas indas e vindas de mensagens que Pedro descobriu o eu verdadeiro, não por Júlia, mas por Ana Rosa. E sem esperar muito tempo o casal apaixonado assumiu o compromisso para toda a família incluindo para Júlia. Entre o casal, não foi somente o amor que se fez forte, a guerra também.


Após o casamento de Ana Rosa, Júlia não perdoou e decidiu então ir morar com a irmã com o "propósito" de ajudá-la a cuidar dos seus filhos, entretanto a vida dos três se tornou um inferno.  A cada criança que nascia ela se dizia ser a mãe confundindo a cabeça de todos da família. O negócio foi tão grave que uma das sobrinhas com para não morrer na duvida fez o exame de DNA que deu negativo.


Júlia envelheceu com o ódio enraizado no coração. E repetia sempre: eu não fui feliz e não deixarei que vocês sejam felizes com esse amor fruto de uma traição. Por inúmeras vezes Ana Rosa ao perceber tamanha perturbação teve crises de loucuras, eram verdadeiros caos em família.


Julia tinha ainda outro desejo, o de enterrar o casal e assim aconteceu. No leito de morte disse Júlia a seu cunhado: é pouco essa dor que sinto agora diante da dor que senti e sinto até hoje. Aos 93 anos, lúcida e sadia, se dizia satisfeita por ter conquistado o que queria, ter enterrado o casal. Sua ultima frase enquanto justificava seus feitos foi: hoje morro feliz.


Júlia deixou o ódio apagar a trajetória de sua vida e a falta de perdão apagou o brilho dos seus olhos, fazendo adoecer sua alma. Toda a tristeza, angustia, ódio e rancor que circularam no seu sangue em vida tiveram para Júlia o sabor amargo de vingança.  

 



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