04/07/2008
A Atividade física na natureza.

Fatores como crescente urbanização e desenvolvimento tecnológico vêm empurrando o homem para um estado de inatividade que aumenta sua exposição aos chamados males do mundo moderno, principalmente as doenças crônico-degenerativas e o estresse rotineiro das grandes cidades.

 
Nesse contexto surgiram as AFAN, atividades Físicas de Aventura na Natureza, modalidades que apresentam como principal característica o contato com o ambiente natural. As AFAN oferecem, em um só pacote, os benefícios fisiológicos gerados pela prática da atividade física e a oportunidade de desfrutar as belezas do ambiente natural. Constituem as AFAN modalidades como surfe, escalada, alpinismo, trekking, hiking, dentre outras, e estas apresentam vivências que se baseiam em energias da natureza, a exemplo da gravidade, ventos, correntes, e que se fundamentam em habilidades motoras como o deslizamento, equilíbrio e velocidade de deslocamento sob condições de risco devidamente controladas.
 
Não podemos deixar, entretanto, de alertar que essa condição de risco controlado ainda não se encontra devidamente regulamentada, ou seja, inexistem leis que determinem a forma como devem ser estruturadas essas atividades, além de direitos e responsabilidades dos atores envolvidos. Deve-se, portanto, observar e verificar que empresas oferecem as atividades citadas, e se estas seguem determinados padrões de segurança. Além disso, se a idéia é vivenciar o movimento no meio natural, e muito embora o fator aventura seja um componente importante, tudo deve ser muito bem planejado, pois os fatores, principalmente ambientais, não podem ser totalmente controlados.
 
Como prova da necessidade de planejamento as notícias têm nos mostrado que, muitas vezes, a busca pelo "radical" pode resultar em tragédia.
 
Tem-se intensificado a divulgação de pacotes ecoturísticos constituídos por atividades em contato com meio natural, como caminhada em trilhas, arvorismo, prática de mergulho, descida em corredeiras (rafting), escalada, asa delta, parapente, rapel etc.
 
É interessante que isto aconteça, uma vez que existe a percepção de serem estas atividades que geram desenvolvimento econômico com características de sustentabilidade. Entretanto, são práticas que apresentam diversas variáveis, não só quanto ao espaço em que se desenvolvem (terra, água, ar), como quanto à exigência ou esforço físico exigido aos seus praticantes.
 
Temos debatido com bastante intensidade a necessidade de consideração da condição individual dos adeptos à prática de atividade física, através de avaliações e planejamento, como a forma de otimizar o aproveitamento dos benefícios dessa prática à saúde. A avaliação prévia antes das atividades de aventura na natureza é ainda mais importante, uma vez que existe, além da imposição do esforço físico, a exposição a fatores que não podem ser controlados, e que se tornam desafios, como ventos, tempestades, raios, terrenos com lama ou areia mole, mata fechada, etc.
 
Tais fatores demandam planejamento acurado, que envolve, além do conhecimento anterior sobre a aptidão física dos praticantes, aspectos como manutenção rotineira de equipamentos, levantamento de possíveis obstáculos nos percursos, georeferenciamento por satélite e consulta meteorológica. Algumas empresas vêm investindo aqui na região sul, principalmente em se falando de modalidades como trilhas ecológicas, rapel e rafting. Talvez o preço ainda faça a população perceber a prática como típica de "turista", mas é importante nos conscientizarmos da condição privilegiada que a região oferece, com remanescentes florestais aliados a cordões litorâneos de rara beleza. Dificilmente encontraríamos em outro local esse conjunto de forma tão acessível. Apesar disso, é desprezível a porcentagem da população regional que vivencia essa prática.
 
Obviamente, se é tão difícil aderir a uma simples caminhada diária em vias públicas como a Soares Lopes, Litorânea Norte ou Litorânea, Sul, imagine a adesão a uma prática que envolva deslocamento ou ônus por parte do praticante! Apesar disso, não se pode desconsiderar esta prática e sua importância, principalmente para as populações urbanas. Além disso, fomento de atividades que implicam no uso sustentável dos recursos naturais deve ser valorizado.


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