19/09/2008
Pesca Esportiva Chicote de Competição.

Nas últimas matérias publicadas temos abordado especialmente alguns peixes,sua anatomia, fisiologia, hábitos e processo de captura, esportivos.

Hoje vamos voltar a tratar de competição, assunto que foi enfatizado nas primeiras matérias escritas para este jornal.

A pesca amadora de competição difere diametralmente da profissional ou da amadora, não competitiva. Nesta última o pescador escolhe dia, hora, isca, material a ser usado, local, etc. Na verdade, se for experiente, vai ao lugar, hora, maré certa, isca adequada e até escolhe o tipo ou tipos de peixe que vai pescar.

Tal tipo de pescador jamais se desloca para uma pescaria na presença de uma frente fria, onde o vento sul prepondera ou quando o leste se aproxima. Ele sabe que não adianta escolher as primeiras horas da manhã ou determinada isca. A realidade é que em tais condições o peixe não comparece aos nossos anzóis.

Já o pescador de competição não escolhe dia nem hora. Inscrito na prova ou comparece ou não participa.Comparecendo tem que enfrentar as condições do dia, favoráveis ou não.

Aí então é que o pescador de competição se diferencia. Ainda que o fator sorte possa influenciar, é o uso do material mais especializado e adequado às circunstâncias que vai preponderar. Vara, molinete, calibre da linha, tipo e peso da chumbada, tipo de anzol e de chicote (parada) são diferenciais da maior importância.

Hoje vamos dar destaque especial ao tipo de chicote ou parada. Na pesca de competição tal item é importantíssimo, devendo-se levar em conta sua funcionalidade. Às vezes um pequeno detalhe na montagem ou no tipo de rotor escolhido faz a grande diferença.

Nas competições oficiais só é permitido o uso de dois anzóis simples e ainda que o competidor adquira os mesmos elementos para confeccionar tal apetrecho um pequeno detalhe pode mudar bastante sua eficiência. Tais detalhes, vão desde o calibre da linha, o jeito de encastoar os anzóis, o comprimento das pernadas, a distância entre elas, o tamanho e tipo de rotor, etc.

Abaixo a reprodução de um chicote clássico para competição, com dois rotores do tipo “asa delta”.

Observem os detalhes: O girador ou destorcedor é fixado no início do chicote. O primeiro nó de correr é colocado a 7 cm., seguido de uma miçanga, o rotor, nova miçanga e outro nó de correr. Na outra extremidade está fixado um “snap” ou grampo,

Antes de sua fixação, a 5 cm., aproximadamente, faz-se a montagem do outro rotor, entre as miçangas e os nós de correr. No girador prende-se a linha do molinete, no “snap” ou grampo prende-se a chumbada e pelos orifícios dos rotores enfia-se a pernada, que fica retida em razão dos nós que são dados (mínimo de três). O chicote deve ser construído com linha de calibre igual ao do molinete (parte terminal).

As pernadas (onde os anzóis são encastoados) devem ter calibre igual ou um pouco inferior. As miçangas devem ter tamanho proporcional ao calibre das linhas, com o orifício levemente maior que elas. Os nós de correr devem ser feitos com linha de algodão (tipo linha “Urso” ou equivalente) e o nó é do tipo “nó único”, que permite o deslocamento para baixo e para cima. Esse deslocamento dos nós, permitido que a pernada se desloque mais para cima ou para baixo é muito importante em razão do peixe que predomina na prova.

Por exemplo: se a predominância for de mamares (pisquila) as pernadas devem ficar mais para cima, deslocando os nós para perto do girador (a pernada de cima) e afastando a pernada de baixo mais para o meio do chicote. Caso o peixe predominante seja a betara (corre-costa) o indicado é aproximar o máximo possível a pernada de baixo do “snap” ou grampo de fixação da chumbada.

Aqui em Ilhéus não vejo necessidade de usar nos de correr pois a variação de peixes é muito pequena. Os nós para reter as miçangas podem ser fixos, bem próximos das extremidades de cima e de baixo. O recurso, todavia, não pode ser desprezado, pois quando ocorre o vento leste a água do mar fica muito clara, e afasta a esmagadora maioria dos peixes da parte rasa. Quando isto ocorre aparecem sardinhas, manjubas, farnangaios, agulhas, etc. Ai temos necessidade de ter chicotes bem leves, anzóis pequenos e encastoados em linhas mais finas e colocados mais para o alto dos chicotes.

Existem muitos outros tipos de rotor, porém, pessoalmente, aconselho o “asa delta” pela facilidade de troca e funcionalidade.

Outra vantagem desse tipo de rotor é que sua construção é simples e se encontra com facilidade nas casas especializadas. Ele pode ser utilizado tanto na pesca médio-pesada até a extra leve, desde que se use o tamanho adequado e o resto do material guarde a proporção.

Outros detalhes sobre chicotes e demais elementos da pesca de competição poderão ser esclarecidos através de provocação dos leitores. Escrevam para a redação solicitando os esclarecimentos que desejar e estaremos respondendo na edição seguinte.

O fato de manifestarmos nossa preferência pelo rotor do tipo asa delta não significa que os demais sejam ineficientes. O rabo de porco e vários outros, inclusive o duplo giro, cumprem, sua função de não permitir que as pernadas se embaracem umas nas outras já que realizam o movimento de rotação. Os de duplo giro realizam, também, o movimento de translação, entretanto na maioria das vezes tal movimento não é executado, especialmente com o peixe ferrado. Tal inconveniente ocorre sempre com os de fabricação nacional. Já os argentinos não apresentam tal defeito, isto é, desempenham a contento o movimento de translação.

 



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