Existe risco no exercício fisíco por que pessoas estão morrendo durante praticas competivivas
A morte súbita durante práticas esportivas volta a ser assunto em nossa coluna, pois alguns eventos fatais têm sido usados como argumento ou motivação para a manutenção de um estilo de vida sedentário. Existem pessoas que, ao responder àqueles que as alertam sobre a necessidade de mudança de hábitos através da adoção de um programa de atividade física, argumentam que atletas e pessoas que praticam esporte estão morrendo prematuramente em eventos esportivos como maratonas, futebol etc.
É preciso, inicialmente, separar bem as coisas. O conceito de "Atividade física" prevê movimentação que exige gasto energético além dos níveis registrados em repouso, ou seja, atividades como cortar a grama, caminhar para o trabalho, subir escadas, estão incluídas neste conceito.
O aumento dos níveis de atividade física melhora, comprovadamente, as condições gerais de saúde do indivíduo, ponto final. Entretanto, uma coisa é se movimentar mais, outra é ter uma prática regular, de mais intensidade, como corridas ou caminhadas diárias. À medida que adotamos um programa com objetivo de saúde, esta atividade física se transforma em exercício, que é a prática repetitiva, com objetivo definido (emagrecimento, saúde, estética etc). Existe risco de um evento súbito durante a prática de exercícios? Sim, pois estes desafiam a condição de equilíbrio interno do nosso organismo. Esse desequilíbrio exige ajustes, quando os sistemas se esforçam para atender necessidades como maior aporte energético para os músculos, maior fluxo sanguíneo, aumento dos batimentos cardíacos, uma seqüência de eventos que coloca o indivíduo em condição difícil. A exigência regular, continuada, provoca adaptações dos sistemas, tornando-os mais fortes, saudáveis, resistentes, menos propensos às enfermidades, mas exige avaliação prévia e acompanhamento especializado.
No esporte é diferente. O objetivo principal não é a melhora da saúde, mas a quebra de marcas, recordes, ou mesmo a vitória sobre o adversário, o que significa se exercitar no limite fisiológico e, por vezes, ultrapassá-lo. Por isso, o risco de morte em eventos de longas distâncias como a maratona é de um para cada 50 mil participantes. Participam das maratonas atletas preparados e amadores que muitas vezes têm aquelas provas como grande momento da sua vida. Estes fazem o possível para se superar.
Pela sobrecarga a que submetem seu organismo naquele momento estão sim, em risco. Ainda assim acredite: somados todos os momentos da vida o risco é maior pra quem não faz nada. Isso mesmo, o sedentário está muito mais exposto a um evento súbito. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima em dois milhões o número de pessoas que morrem anualmente no mundo devido ao sedentarismo. Este causa, dentre outros problemas, de 10% e 16% dos casos de câncer do seio, cólon e diabetes, além de dobrar o risco de um indivíduo ter doença cardiovascular.
Quanto às mortes súbitas em eventos de futebol e nas maratonas citadas, os especialistas são enfáticos quanto às causas. Existem problemas não diagnosticados, ou que são ignorados mesmo após diagnosticados, a exemplo do que aconteceu no caso do jogador Serginho, do São Caetano. Nos atletas mais jovens as principais causas são cardiopatias congênitas, genéticas ou infecciosas. No caso das maratonas é grande o número de indivíduos que se aventura sem qualquer orientação ou exame prévio, o que aumenta bastante o risco de ocorrência de problemas durante a prática.
Portanto, é importante e seguro praticar exercícios, desde que com avaliação e orientação especializada. Por comodismo ou preguiça, você pode até escolher permanecer sedentário, mas assume um risco muito maior.
FIFA SE PREOCUPA COM CORAÇÃO DOS ATLETAS.
A Federação Internacional de Futebol, Fifa, optou pela manutenção da obrigatoriedade dos testes cardíacos para jogadores de futebol de ambos os sexos, utilizado pela primeira vez na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. A decisão foi tomada em função das quatro mortes por problemas cardíacos não diagnosticados ocorridas na última temporada. Isso significa que em qualquer competição com chancela da FIFA os testes serão rigorosos.
Medida importante, pois os esportistas são muito festejados e devem ser exemplos de vida, o que não combina com as notícias de mortes prematuras, que ocorrem de forma súbita e muitas vezes são registradas pela televisão. Tais notícias, quando veiculadas de forma intensa, possibilitam uma interpretação errada sobre a relação entre exercício e saúde.
BRASIL REALIZARÁ MAIOR ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DA AMÉRICA LATINA.
Finalmente lançaram estudo longitudinal, que prevê o monitoramento por 20 anos de 15 mil funcionários docentes, homens e mulheres. Este será o maior estudo já desenvolvido na área de epidemiologia na América Latina, com denominação "Estudo Longitudinal sobre a Saúde do Adulto (Elsa Brasil)" e financiamento do Ministério da Saúde e Ministério de Ciência e Tecnologia. O lançamento foi feito peloMinistro da Saúde, José Gomes Temporão, no último dia 21, durante abertura do XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia e VII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em Porto Alegre-RS.






