Os Cangulos.
Normalmente ninguém dá atenção especial aos cangulos. Esportivamente não são dignos de nota e do ponto de vista culinário são erroneamente considerados peixes inferiores e até venenosos. Aí é que está o grande equívoco dos defensores dessa esdrúxula tese. Poucos são tão saborosos quanto eles, só mesmo os robalos, linguados, bijupirás, pampos, ou mesmo os seus parentes mais próximos, os baiacus.
Pertencem à ordem "PLECTOGNATHI", habitantes de águas tropicais e sub-tropicais, vivendo em pequenas ou médias profundidades, em locais rochosos, em torno de recifes de coral. Apresentam abertura branquial reduzida e boca pequena. Praticamente não tem ossos na região ventral, bem como estas nadadeiras. As nadadeiras dorsais são em número de duas, com a primeira espinhosa. Em lugar de escamas possuem couro forte formando placas ósseas.
As principais famílias são: Batistidae e Monocandidae. À primeira pertence o cangulo rei, conhecido como cangulo do alto, piruá e pireá, cujo o nome científico é "Balistis vetula"; o cangulo também conhecido por peroá, piruá, acará mocó e fantasma, cujo o nome científico é "Balistis carolinensis"; o cangulo preto, ou purfa, também conhecido por "por favor me pegue" e peixe porco, cujo nome científico é "Melinchthys piceus", que é considerado uma variedade do anterior.
A família monocatidae é integrada pelo "peixe porco", ou capado, cujo o nome científico é "Monocantus hispidus"; o gudundo, também conhecido por unicórnio, peixe rato ou peixe porco, cujo o nome científico é "Alutera monocenos"; o peixe fantasma, ou peroá roxo, cujo o nome científico é " Davidia punctata"; e o piraáca, também conhecido por peixe porco, cujo o nome científico é "Monocantus ciliatus".
Todos são muito semelhantes na forma e hábitos. O corpo é de formato romboital e comprido, boca pequena e dentes poderosos capazes de quebrar corais e ouriços, de que também se alimentam. Possuem um espinho móvel, em forma de mola, que lhes vale o apelido de peixe mola ou peixe gatilho. Não possuem nadadeiras ventrais, as peitorais são pequenas e a caudal lunada. Não atingem tamanho considerável os maiores chegam aos 4 ou 5 quilos.
Ocorrem em todo o litoral americano do atlântico, em águas tropicais, preferindo a região dos parceis e em torno das ilhas oceânicas. Eventualmente aparecem em grandes cardumes em praias de tombo como Jaconé (Saquarema) e Itaipuaçú (Maricá) no Rio de Janeiro e na praia do Riacho (Guarapari) no Espírito Santo. Comem tudo, especialmente moluscos, bivalves, ouriços do mar, crustáceos e até pedaços de coral.
A pesca do cangulo
Embora não seja espécie essencialmente esportiva o cangulo, especialmente o "Balistes carolinensis", quando aparece nas praias, dá trabalho e alegria ao pescador. Come qualquer isca mas embucha e cortas linhas com facilidade. Na sua ocorrência em, beira de praia devemos usar o seguinte material: vara de ação média, carretilhas e molinetes médios, linha 0,20 a 0,30 com arranque 0,50, anzóis pequenos e fortes de haste bem longa ou empatados em aço, chumbadas de 70 a 100 gramas, isca de camarões, filés de sardinha.
Embarcado devemos usar varas de 2.20 de ação média, carretilhas médias e fortes, anzóis profissionais de prata nº 10, 11 ou 12, parada de arco com dois anzóis e rocega, ou a clássica de três anzóis, chumbadas tipo profissional de 300 gramas e qualquer isca morta.
O cangulo na cozinha
Já afirmamos ao longo da matéria que o cangulo é um peixe de sabor excepcional, carne macia, gosto característico e firme. No Espírito Santo é muito popular, consumido em larga escala frito como tira-gosto. O incoveniente é que o óleo da fritura é normalmente reaproveitado o que causa mal à saúde. No Ceará também é famoso, usado mais no preparo de sopas, com o aproveitamento da cabeça e espinha central.z






