25/11/2008
Academias causam epidemia de lesões o que está acontecendo.

Matéria recente da coluna "Equilíbrio" do jornal "A Folha de São Paulo" aponta as academias  de musculação e ginástica como responsáveis por uma "epidemia" de lesões. Segundo profissionais entrevistados as características genéticas dos praticantes não são respeitadas nas academias, que se tornaram muito comerciais. Um dos profissionais citados na matéria aponta a distância entre o conhecimento científico e o mercado do "fitness" como a principal razão da situação, enquanto outro entrevistado prefere colocar a culpa nos clientes, que não freqüentam com a regularidade devida e abusam das cargas nos aparelhos de musculação.
O que está acontecendo? Como pode um local que deveria proporcionar saúde ser apontado como vilão?

Para começar não há como negar o crescimento das lesões em academias. Estas cresceram paralelamente à  explosão no número de freqüentadores destes locais e novos investimentos do mercado do "fitness". Esse mercado, que movimenta muito dinheiro, está muito à frente das pesquisas e conhecimento produzidos pelo setor, ou seja, muita coisa é disponibilizada ao consumidor sem qualquer comprovação ou segurança quanto à sua qualidade.  Além disso, no intuito de atrair e motivar o cliente o apelo estético dos produtos se tornou muito grande, enquanto os resultados nem sempre respeitam limites considerados saudáveis.

Concordo com o profissional citado na matéria sobre o desrespeito à individualidade na maioria das academias. A busca dos proprietários por uma maior quantidade de clientes em cada horário não permite um acompanhamento mais próximo, pois a relação professor/aluno é desigual. Não é raro testemunharmos apenas um professor supervisionando turmas ou grupos inteiros de ginástica ou musculação, o que muitas vezes compromete a qualidade. Sem contar que as avaliações realizadas nesses locais muitas vezes não são adequadas e, quando são, ficam esquecidas no arquivo, seja porque os professores não sabem como usá-las ou para que esta sirva apenas como prova da aptidão do aluno para o programa.

Os clientes são culpados? São. A maioria procura a academia por questões estéticas, não dá ouvidos às orientações dos professores e quer resultados imediatos, a custos baixos. Não existe mágica. Proprietários de academias que pagam salário miserável ao professor e que abusam dos estagiários existem aos montes. Se estes proprietários continuam no mercado é porque ainda existem "professores" que se submetem aos "salários" e clientes que querem pagar barato, enganando a si próprios. Optam por "malhar" em focos potenciais de lesões, colocam o próprio corpo em risco e ainda acham que estão levando vantagem.

Óbvio que em todas as áreas existem maus profissionais. Acontece que, quando isso se dá na área da saúde, onde a "matéria prima" do trabalho é o corpo humano, os resultados podem trazer conseqüências terríveis, que nem sempre são imediatas. Pode ser que uma dor ou lesão na coluna daqui a alguns anos seja decorrente do acúmulo de exercícios recheados de movimentos errados, e que você sequer perceba a verdadeira causa.

Para dar um exemplo considero o ciclismo indoor, chamado por alguns de "spinning", uma das modalidades mais seguras da academia, sendo indicada, com a devida orientação, até como coadjuvante no tratamento de algumas lesões causadas por impactos nas articulações ocorridas em outras modalidades (Corrida etc). Existem, entretanto, diversos casos de pessoas que se lesionaram praticando o "spinning". Como isso pode acontecer?

Quer se proteger?

- A escolha da academia deve ser cuidadosa. Esteja atento a promoções ou preços muito baixos e procure conhecer o currículo dos instrutores da sua academia. Antes de decidir visite as salas de musculação e ginástica, observando as condições de manutenção dos equipamentos e método de trabalho dos professores.

-Exija uma avaliação completa, mesmo que esta seja cobrada à parte. Se a academia não fizer ou indicar a avaliação no ato da matrícula, ou mesmo antes do início do programa, vire as costas e vá embora.

- A motivação é importante, mas não deixe que a música e outros componentes (luzes etc) substituam o principal, que é a correta aplicação e execução dos movimentos. Desconfie de professores que usam muitos recursos tecnológicos, música alta e exercícios em elevada intensidade o tempo todo. Esses, que costumam divulgar o quanto sua aula é "forte", precisam entender que estão lidando com diferentes indivíduos, diferentes histórias de vida.

-Acostume-se a ouvir seu corpo e pare o exercício a qualquer sinal de estresse ou dor. Não existe qualquer demérito em fazer menos esforço que o colega de aula, por mais que o professor insista para que você continue.

-Seja moderado nos suplementos. Embora sejam coloridos, atraentes e prometam resultados rápidos, não há nada que você não consiga com as efeições diárias. Suplementação, como o nome diz, é feita quando existe uma situação de gasto energético elevado e pouca condição de reposição, o que geralmente ocorre em treinamentos voltados para atletas. Lembre-se, quem prescreve o suplemento não é o professor da academia, mas seu médico endocrinologista ou nutricionista.

-Depois de escolher o local siga rigorosamente a prescrição, mas não abra mão da sua percepção e dos avisos dados pelo corpo. Dê informações aos professores e solicite mudanças, caso sejam necessárias.

Tenha em mente que existem academias e "academias". A escolha certa é o passo mais importante.

 



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