25/11/2008
Pra onde tu andas.

Às vezes a gente anda, anda, anda e não chega a lugar algum... Às vezes a gente anda, anda, anda e não sai do lugar. É como se estivesse acorrentado, preso a algo que passou, mas que permanece vivo dentro da alma.

O pior é quando a gente anda sem saber pra onde ir. Andamos sempre tropeçando nas pedras que trazemos para os nossos caminhos. Tem gente que consegue junta-las para construir um belo castelo. Mas tem gente que acaba se machucando com elas, deixando terríveis feridas, terríveis seqüelas.  

Tem gente que anda sem nem saber onde está andando. De acordo com os caminhos que escolhemos para trilhar encontraremos solo fértil, ou areia movediça.
Nessa caminhada aprendemos que algumas pessoas que julgávamos ser especiais em nossas vidas, não se importam com os nossos tropeços, com as nossas quedas. Aprendemos que em determinado momento o silêncio é mais importante do que o grito, mesmo que seja de dor.

Descobrimos que fizemos amizades ou relacionamentos que nos levam ao arrependimento para o resto da vida. É nesse momento que a alma se congela pelo vento frio do abandono, e acabamos nos prostrando diante dos nossos fracassos. Nos caminhos da vida você descobre que a pessoa que você esperava lhe chutar quando caísse, é umas das poucas que ajudam a ti levantar, e que quem mais você esperava estender as mãos foi justamente quem provocou sua queda.

Precisamos andar com muita atenção, pois escolhemos estradas que estão cheias de serpentes, ávidas a nos devorar. Mas tem gente que nessa curta, longa e árdua caminhada da vida, nada aprende, e não consegue se transformar na pessoa que deseja ser, não sabe aonde chegou, nem pra onde vai. Não consegue ganhar um novo rumo, não consegue enxergar o horizonte. Gente que vive olhando apenas para os buracos da sua estrada.

Muita gente tem se cansado no meio do caminho da vida, pois faz questão de carregar pesados fardos que na verdade não lhes pertencem mais, e como saída abre uma cova no meio do seu caminho, onde se joga para sempre. Gente que não consegue andar, mas que vive se arrastando com a cunha na mão em busca de uma relação que nunca existiu, ou quando existiu lhe jogou num grande e frio buraco. Gente que anda acorrentada porque não consegue se libertar do passado. Gente que se perde em seus caminhos porque lhe abandonaram no meio da estrada, gente que não quer mais andar como medo das covas que permitiu abrirem em sua caminhada.

Se você está no deserto, não fique passeando, procure uma saída, aprenda a controlar os seus próprios passos ao invés de querer caminhar com as pernas dos outros. Às vezes quando caminhamos na dependência das pernas dos outros caímos em profundos precipícios.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei, porque tu estás comigo. (salmo 23)



NETBAHIA WEB