25/11/2008
Os Tubarões ou Cações.

Os tubarões ou cações pertencem à ordem do ELASMOBRANQUIOS, tendo com características principais as seguintes: esqueleto cartilaginoso; mandíbulas presas ao crânio; pele áspera, recoberta de escamas placóides, que na verdade são dentes cutâneos; dentes que se renovam à medida que os perdem e não são implantados, mas mantidos na gengiva; intestino curto e espiralado; regime alimentar exclusivamente carnívoro (exceção do tubarão baleia e peregrino que se alimentam de plâncton); fendas branquiais abertas exteriormente, na parte lateral do corpo, logo após a cabeça; nadadeiras ventrais dos machos são modificadas em órgãos copuladores; visão imperfeita, só percebendo o deslocamento de objetos e seres vivos e a luminosidade; o sentido do gosto é dado por milhares de células sensoriais localizadas entre as escamas; não possuem bexiga natatória, o que lhes obriga a manterem-se em constante movimento, para não afundar.

Os tubarões existem há mais de 300 milhões de anos e são encontrados nas águas oceânicas de todo o planeta e até mesmo, algumas espécies, podem viver em regime exclusivamente fluvial e lacustre.
São verdadeiras máquinas de nadar, evolutivamente para tal fim. São fusiformes e hidrodinâmicos, e seu tamanho varia desde os 50 cm até 18 metros. Comem tudo que aparece a seu alcance, inclusive outros tubarões e seus próprios filhotes. Aliás, a fêmea quando pare o faz sempre com a cloaca a favor da corrente da maré para que os caçonetes nadem em sentido contrário à posição de sua cabeça, pois se passarem ao seu alcance são logo devorados.

Podem, a grandes distâncias, sentir a presença de algumas gotas de sangue diluídas na água do mar ou notar movimentos vibratórios, o que acontece em razão do desenvolvimento das células sensoriais e da linha lateral.

Basicamente não existem diferenças entre os tubarões e os cações. Normalmente chamam de cação o tubarão de pequeno porte. Os gaúchos chamam de cação aos que não possuem dentes, como os canejos, ou canechos, ao lixa e uma variedade malhada, lá denominada "Bico Doce", completamente diferente do que tem mesmo nome no nordeste brasileiro.

Vulgarmente diz-se que "cação é o que a gente come e tubarão o que come agente".
Como são parentes próximos das arraias algumas espécies são confundidas. É o caso das violas tomadas, por alguns, erradamente por cações, o cação tapete e o anjo, tomados por arraias. Os cações têm as fendas branquiais laterais enquanto as arraias têm-nas situadas na face inferior do corpo.

Existem uma enorme variedade de tubarões (cações) espalhados pelos mares do mundo integrando numerosas famílias.
Os que são considerados mais perigosos ao homem pertencem a quatro famílias: Carcharidae, Carcharhinidae, Isuridae e Sphyrnidae. São eles:
O anequim "Carcharodon carcharias"; o tintureiro "Galocerdo cuvier"; o macro "Isurus oxyrhinchus"; o tubarão martelo " Spyrna zygaena; o tubarão azul "Prionace glauca"; o cação limão "Negaprion brevirostris"; e o galha branca "Carcharhinus longimanus".
O anequim, também conhecido como tubarão branco, embora exista em todas as águas tropicais e temperadas dos mares do mundo é mais abundante no sudeste da Austrália. Cresce bastante e pode alcançar os 12 metros e pesar mais de 3.500 quilos. O recorde mundial em pesca esportiva é de Alfred Dean, com uma peça de 1.208,38 kg, pesada em Ceduma no Sul da Austrália em 21 de abril de 1959.

A pesca do tubarão

Pesca-se esportivamente o tubarão em alto mar, na região das beiradas e paredes, especialmente à noite, na modalidade fundeado e de "trolling" (algumas variedades), bem como de "fly fishing" (o tubarão azul, que é relativamente pequeno) e em beira de praia, de arremesso ("surf-casting").

De "trolling" deve ser feito durante o dia.
Fundeado devemos usar o mesmo material de "trolling" com iscas de peixe ou pedaços de carne. À noite os tubarões aparecem mais. Os melhores pesqueiros são aqueles que se localizam nos "regões", isto é, na divisa da água azul oceânica bem em frente à desembocadura de um rio. Ao chegar ao pesqueiro devemos engodar com vísceras, sangue de boi, cabeça de animais de grande porte como o próprio boi ou peixes de médio porte já "passados" (com mau cheiro). Nossos anzóis possantes devem ficar de "bubuia", ou seja ao sabor da corrente, afilados com o fundo da embarcação. Se o tubarão for muito grande é necessário levantar a âncora e descrever círculos concêntricos em torna da peça.

Em beira de praia pescamos o cação com material pesado ou espinhel de "pandorga". As varas devem ser de paredes especiais, grossas, do tipo "compoud taper", carretilhas ou molinetes possantes, equivalentes aos modelos "escualo" 6.012 e 6.014 e Penn 990 e Abu 10.000, respectivamente linhas de 0.50 a 0.70mm, anzóis fortes e grandes 5, 6 e 7/0 (para os grandões) encastoados em aço (caso os empatemos em naylon, devemos recobrir a pernada com fita adesiva). Iscas de polvo, lulas grandes e pedaços de peixe, chumbadas de 120 a 200grs, a parada deve ter apenas um anzol.

É normal no litoral brasileiro a pesca de tubarões em beira de praias, eu mesmo na barra do Rio Acuípe (divisa de Ilhéus com u município de Una) peguei um lixa de 58Kg e muitos outros de tamanho maior que já cortaram a linha ou pernadas inteiras quando não usava anzóis empatados em aço.
Quando o cação puxa para fora e se sente preso, costuma voltar em cima da linha e cortá-la ou puí-la com o couro das costas, por isso o pescador deve recolher rapidamente a linha com o freio em meia trava e, às vezes, até correr de costas para testar a linha sob pena de vê-la cortada.

 



NETBAHIA WEB