04/12/2008
A Geladeira do Rico.

O Senhor Rico, homem integro, com fama de certinho e muito seguro - dizem que é tão seguro que só abre sua mão se for para lavar. Ah! É o conhecido do Pedro, aquele que vendia manga na feira e hoje dono do "Rei da Manga"! Senhor Rico, é nada mais que primo de Dona Maria, a casada com seu José; José! O vizinho de Rute que mora perto de Odília lá na Rua dos Prazeres, rua em que todos tendem a ficarem ricos.

Rico e muito engraçado, conta que tem tudo o que queria e quer na vida, e de barriga cheia não economiza em contar as mais variadas lamentações. A sua amiga fiel, Geladeira, que o diga.

O belo se acha o tal, só se acha, pois, ainda não se encontrou. Vai vivendo de carro importado, roupas de grifes, tirado "a gatinho". E a geladeira? Despencado! Aos vinte e cinco anos, já cansadinha de guerra não tem a mínima atenção do Senhor Rico.

Outro dia, a vizinha foi parar no hospital pelo susto que tomou como o barulho da Geladeira. O caso foi tão grave que a vizinhança se reuniu e preparou um abaixo assinado para junto às autoridades resolver a situação. E sabe o que aconteceu? Nada! Nada disso abalou o Senhor Rico, que há anos já se acostumou com a trilha sonora de sua Geladeira.

A respeito de sua fiel amiga o pensamento de Rico era: "nem pensar!". E se passaram os anos. E a história permanecia a mesma. O pensamento dos vizinhos era: "só a graça!". As más línguas contam que, segundo a sua diarista, ele gosta de um cacareco, e que para o Senhor Rico a Geladeira é top de linha.

Mas, o nosso amigo também teve seu momento de pânico, a coitada da Geladeira tremeu tanto que levou o caro amigo, por impulso, pensar em reformar tudo. E seu primeiro ato seria: levá-la ao ferro-velho.  E lá se vai, triste, arrasado, rumo ao ferro-velho. Indignado e com todo o seu tradicionalismo e conservadorismo foi entregar a fiel amiga na mão de um desconhecido.

Entretanto, pediu o Senhor Rico que sua amiga fosse avaliada e para a sua alegria e tristeza de todos da vizinhança, a Geladeira estava boa, e o barulho era mal do tempo. E completou: essa amiga, ainda vai durar uns vinte e cinco anos!



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